terça-feira, 21 de abril de 2015

EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE EDUCAÇÃO DE ADULTOS


Veiculado pela UNESCO, através das seis conferências internacionais sobre educação de adultos
1ª Conferência - Promover a reconstrução da Europa, devastada pela 2ª guerra mundial

(…) E desenvolver a tolerância e a cooperação entre os povos. Discutiu-se o entendimento sobre educação de adultos, manifestando-se o pendor humanista, típico da UNESCO.

2ª Conferência - A educação de adultos num mundo em mutação (…)

(…) A educação de adultos, ao mesmo tempo que deveria contribuir de uma forma mais ampla para o melhoramento das qualificações profissionais do indivíduo, deveria também deixar campo à reflexão sobre os valores humanos que o progresso social tem obrigação de preservar. (UNESCO, 1960, p. 95).

3ª Conferência - (…) Marcada por um apelo à funcionalidade da educação

(…) A Educação funcional de adultos é aquela que, baseada nos laços existentes entre o homem e o trabalho (no sentido mais lato da palavra trabalho) e unindo o desenvolvimento do trabalhador e o desenvolvimento da comunidade, integra os interesses do indivíduo e da sociedade. É também aquela pela qual o homem se realiza no contexto de uma sociedade cuja estrutura e relações de superstrutura facilitam o pleno desenvolvimento da personalidade humana. (UNESCO, 1972, p. 108-109, negrito e parêntesis no original).

Conferência - Aprender é a palavra-chave (...)  

(…) E, embora se afirme que aprender “ (…) não é só um instrumento do desenvolvimento económico (...) ” é a partir dessa perspetiva que o direito e o dever de aprender começam a ser enfatizados. (UNESCO, 1985, p. 66).

Conferência - Aprender em idade adulta: uma chave para o século XXI (Melo, 1998).

Na Declaração de Hamburgo sobre educação de adultos (UNESCO, 1997) a educação de adultos é definida como sendo (…) o conjunto de processos de aprendizagem, formal ou não, graças ao qual as pessoas consideradas adultos pela sociedade a que pertencem desenvolvem as suas capacidades, enriquecem os seus conhecimentos, e melhoram as suas qualificações técnicas ou profissionais ou as reorientam de modo a satisfazerem as suas próprias necessidades e as da sociedade. A educação de adultos compreende a educação formal e a educação permanente, a educação não formal e toda a gama de oportunidades de educação informal e ocasionais existentes numa sociedade educativa multicultural, em que são reconhecidas as abordagens teóricas e baseadas na prática. (pp. 15-16).

Conferência - Vivendo e aprendendo para um futuro viável

(…) A educação e aprendizagem de adultos, na região da Europa, América do Norte e Israel, considerada como a chave dos desafios sociais, ambientais, económicos e outros, sendo colocada em prática na maioria dos países, ainda que com muitas diferenças de operacionalização entre os vários países, pois as políticas são definidas nacionalmente.

Foram efetuadas recomendações no que respeita à política, legislação, governance, financiamento, participação, provisão, reconhecimento, qualidade e investigação, com a meta de melhorar a qualidade das respostas educativas.

Retirado dos meus apontamentos redigidos no 2º ano da minha Licenciatura em Educação na unidade curricular "Pedagogia da Formação de Adultos".

PRÁTICAS EDUCATIVAS NÃO-FORMAIS


A educação não-formal apresenta-se como sendo um campo de conhecimento em construção e um processo com várias dimensões tais como: a aprendizagem política dos direitos dos indivíduos enquanto cidadãos; a capacitação dos indivíduos para o trabalho, por meio da aprendizagem de habilidades e/ou desenvolvimento de potencialidades; a aprendizagem e exercício de práticas que capacitam os indivíduos a se organizarem com objetivos comunitários, orientadas para a solução de problemas coletivos e do quotidiano; a aprendizagem de conteúdos que possibilitem aos indivíduos fazerem uma leitura do mundo do ponto de vista de compreensão do que se passa ao seu redor; a educação desenvolvida nos média e pela média, em especial a eletrónica etc.

A educação não-formal é muitas vezes confundida com educação informal. Importa portanto distinguir e demarcar as diferenças entre estes conceitos, não deixando de referir também as características da educação formal:

A educação formal
Desenvolvida nas escolas, com conteúdos previamente demarcado.
A educação informal
Desenvolvida durante o processo de socialização - na família, bairro, clube, amigos etc. É carregada de valores e culturas próprias, de pertença e sentimentos herdados.
A educação não-formal
É aquela que se aprende "no mundo da vida", através de processos de partilha de experiências, principalmente em espaços e ações coletivas e quotidianas.
Os resultados não são esperados, simplesmente acontecem a partir do desenvolvimento do senso comum nos indivíduos, senso este que orienta suas formas de pensar e agir espontaneamente.

 

Algumas Características da Educação Não-Formal: Metas, Lacunas e Metodologias

A seguir listamos algumas características que a educação não formal pode atingir em termos de metas. Consideramos estas metas como um campo a ser desenvolvido pela Pedagogia Social:

  • Aprendizado quanto a diferenças - aprende-se a conviver com demais. Socializa-se o respeito mútuo; ao outro, trabalha o "estranhamento";
  • Adaptação do grupo a diferentes culturas, e o indivíduo
  • Construção da identidade coletiva de um grupo;
  • Balizamento de regras éticas relativas às condutas aceitáveis socialmente.
    O que falta na educação não-formal:

  • Formação específica a educadores a partir da definição de seu papel e atividades a realizar;
  • Definição de funções e objetivos de educação não formal;
  • Sistematização das metodologias utilizadas no trabalho cotidiano;
  • Construção de instrumentos metodológicos de avaliação e análise do trabalho realizado;
  • Construção de metodologias que possibilitem o acompanhamento do trabalho realizado;
  • Construção de metodologias que possibilitem o acompanhamento do trabalho de egressos que participaram de programas de educação não formal;
  • Criação de metodologias e indicadores para estudo e análise de trabalhos da educação não formal em campos não sistematizados. Aprendizado gerados pela vontade do recetor;
  • Mapeamento das formas de educação não-formal na auto-aprendizagem dos cidadãos (principalmente jovens no campo da auto-aprendizagem musical).
http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000092006000100034&script=sci_arttext

EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA - LINHAS ORIENTADORAS




A prática da cidadania constitui um processo participado, individual e coletivo, que apela à reflexão e à ação sobre os problemas sentidos por cada um e pela sociedade. O exercício da cidadania implica, por parte de cada indivíduo e daqueles com quem interage, uma tomada de consciência, cuja evolução acompanha as dinâmicas de intervenção e transformação social. A cidadania traduz-se numa atitude e num comportamento, num modo de estar em sociedade que tem como referência os direitos humanos, nomeadamente os valores da igualdade, da democracia e da justiça social.

Enquanto processo educativo, a educação para a cidadania visa contribuir para a formação de pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo. A escola constitui um importante contexto para a aprendizagem e o exercício da cidadania e nela se refletem preocupações transversais à sociedade, que envolvem diferentes dimensões da educação param a cidadania, tais como: educação para os direitos humanos; educação ambiental/desenvolvimento sustentável; educação rodoviária; educação financeira; educação do consumidor; educação para o empreendedorismo; educação para a igualdade de género; educação intercultural; educação para o desenvolvimento; educação para a defesa e a segurança/educação para a paz; voluntariado; educação para os media; dimensão europeia da educação; educação para a saúde e a sexualidade.

Sendo estes temas transversais à sociedade, a sua inserção no currículo requer uma abordagem transversal, tanto nas áreas disciplinares e disciplinas como em atividades e projetos, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário, de acordo com os princípios definidos no Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 91/2013 de 10 de julho. Subjacente a esta conceção educativa, está uma visão integradora das diversas áreas do saber que atravessa toda a prática educativa e que supõe, para além de uma dinâmica curricular, também uma vivência de escola, coerente e sistemática, alargada ao contexto em que esta se insere.

A abordagem curricular da educação para a cidadania pode assumir formas diversas, consoante as dinâmicas adotadas pelas escolas no âmbito da sua autonomia, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos e atividades da sua iniciativa, em parceria com as famílias e entidades que intervêm neste âmbito, no quadro da relação entre a escola e a comunidade. Não sendo imposta como uma disciplina obrigatória, é dada às escolas a possibilidade de decidir da sua oferta como disciplina autónoma, nos 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico. Deste modo, a educação para a cidadania pode ser desenvolvida em função das necessidades e problemas específicos da comunidade educativa, em articulação e em resposta a objetivos definidos em cada projeto educativo de agrupamento de escola ou escola não agrupada.

Atendendo à importância que o Ministério da Educação e Ciência reconhece a esta área curricular, têm vindo a ser produzidos, em colaboração com outros organismos e instituições públicas e com diversos parceiros da sociedade civil, documentos que se poderão constituir como referenciais na abordagem das diferentes dimensões de cidadania. Os referenciais e outros documentos orientadores não constituem guias ou programas prescritivos, mas instrumentos de apoio que, no âmbito da autonomia de cada estabelecimento de ensino, podem ser utilizados e adaptados em função das opções a definir em cada contexto, enquadrando as práticas a desenvolver.

As diversas dimensões da educação para a cidadania são já objeto de trabalho em muitas escolas, quer transversalmente, quer através de ofertas curriculares específicas e de projetos. As dimensões para as quais já foram elaborados ou estão em elaboração documentos orientadores para as escolas são, nomeadamente:

Educação Rodoviária, que se assume como um processo de formação ao longo da vida que envolve toda a sociedade com a finalidade de promover comportamentos cívicos e mudar hábitos sociais, de forma a reduzir a sinistralidade rodoviária e assim contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações.

Educação para o Desenvolvimento, que visa a consciencialização e a compreensão das causas dos problemas do desenvolvimento e das desigualdades a nível local e mundial, num contexto de interdependência e globalização, com a finalidade de promover o direito e o dever de todas as pessoas e de todos os povos a participarem e contribuírem para um desenvolvimento integral e sustentável.

Educação para a Igualdade de Género, que visa a promoção da igualdade de direitos e deveres das alunas e dos alunos, através de uma educação livre de preconceitos e de estereótipos de género, de forma a garantir as mesmas oportunidades educativas e opções profissionais e sociais. Este processo configura-se a partir de uma progressiva tomada de consciência da realidade vivida por alunas e alunos, tendo em conta a sua evolução histórica, na perspetiva de uma alteração de atitudes e comportamentos.

Educação para os Direitos Humanos, que está intimamente ligada à educação para a cidadania democrática, incidindo especialmente sobre o espectro alargado dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, em todos os aspetos da vida das pessoas, enquanto a educação para a cidadania democrática se centra, essencialmente, nos direitos e nas responsabilidades democráticos e na participação ativa nas esferas cívica, política, social, económica, jurídica e cultural da sociedade.

Educação Financeira, que permite aos jovens a aquisição e desenvolvimento de conhecimentos e capacidades fundamentais para as decisões que, no futuro, terão que tomar sobre as suas finanças pessoais, habilitando-os como consumidores, e concretamente como consumidores de produtos e serviços financeiros, a lidar com a crescente complexidade dos contextos e instrumentos financeiros, gerando um efeito multiplicador de informação e de formação junto das famílias.

Educação para a Segurança e Defesa Nacional, que pretende evidenciar o contributo específico dos órgãos e estruturas de defesa para a afirmação e preservação dos direitos e liberdades civis, bem como a natureza e finalidades da sua atividade em tempo de paz, e ainda contribuir para a defesa da identidade nacional e para o reforço da matriz histórica de Portugal, nomeadamente como forma de consciencializar a importância do património cultural, no quadro da tradição universal de interdependência e solidariedade entre os povos do Mundo.

Promoção do Voluntariado, que visa o envolvimento das crianças e dos jovens em atividades desta natureza, permitindo, de uma forma ativa e tão cedo quanto possível, a compreensão que a defesa de valores fundamentais como o da solidariedade, da entreajuda e do trabalho, contribui para aumentar a qualidade de vida e para impulsionar o desenvolvimento harmonioso da sociedade. A criação de uma cultura educacional baseada na defesa destes mesmos valores reforça a importância do voluntariado como meio de promoção da coesão social.

Educação Ambiental/Desenvolvimento Sustentável, que pretende promover um processo de consciencialização ambiental, de promoção de valores, de mudança de atitudes e de comportamentos face ao ambiente, de forma a preparar os alunos para o exercício de uma cidadania consciente, dinâmica e informada face às problemáticas ambientais atuais. Neste contexto, é importante que os alunos aprendam a utilizar o conhecimento para interpretar e avaliar a realidade envolvente, para formular e debater argumentos, para sustentar posições e opções, capacidades fundamentais para a participação ativa na tomada de decisões fundamentadas no mundo atual.

Dimensão Europeia da Educação, que contribui para formação e envolvimento dos alunos no projeto de construção europeia, incrementando a sua participação, reforçando a proteção dos seus direitos e deveres, fortalecendo assim a identidade e os valores europeus. Pretende-se promover um melhor conhecimento da Europa e das suas instituições, nomeadamente da União Europeia e do Conselho da Europa, do património cultural e natural da Europa e dos problemas com que se defronta a Europa contemporânea.

Educação para os Media, que pretende incentivar os alunos a utilizar e decifrar os meios de comunicação, nomeadamente o acesso e utilização das tecnologias de informação e comunicação, visando a adoção de comportamentos e atitudes adequados a uma utilização crítica e segura da Internet e das redes sociais.

Educação para a Saúde e a Sexualidade, que pretende dotar as crianças e os jovens de conhecimentos, atitudes e valores que os ajudem a fazer opções e a tomar decisões adequadas à sua saúde e ao seu bem-estar físico, social e mental.

A escola deve providenciar informações rigorosas relacionadas com a proteção da saúde e a prevenção do risco, nomeadamente na área da sexualidade, da violência, do comportamento alimentar, do consumo de substâncias, do sedentarismo e dos acidentes em contexto escolar e doméstico.

A Educação para o Empreendedorismo, que visa promover a aquisição de conhecimentos, capacidades e atitudes que incentivem e proporcionem o desenvolvimento de ideias, de iniciativas e de projetos, no sentido de criar, inovar ou proceder a mudanças na área de atuação de cada um perante os desafios que a sociedade coloca.

Educação do Consumidor, que pretende disponibilizar informação que sustente opções individuais de escolha mais criteriosas, contribuindo para comportamentos solidários e responsáveis do aluno enquanto consumidor, no contexto do sistema socioeconómico e cultural onde se articulam os direitos do indivíduo e as suas responsabilidades face ao desenvolvimento sustentável e ao bem comum.

Educação Intercultural, que pretende promover o reconhecimento e a valorização da diversidade como uma oportunidade e fonte de aprendizagem para todos, no respeito pela multiculturalidade das sociedades atuais. Pretende-se desenvolver a capacidade de comunicar e incentivar a interação social, criadora de identidades e de sentido de pertença comum à humanidade.

Direção-Geral da Educação, dezembro de 2012 – Atualizado em novembro de 2013.
Acedido a 21.04.2015, disponível em,