terça-feira, 26 de maio de 2015

Os CLAS

CENTROS LOCAIS DE APRENDIZAGEM

Porque apareceram os CLAs? A rede de centros de apoio, bem como o seu funcionamento eram inadequados aos princípios e aos objectivos do Plano Estratégico da Universidade Aberta.Era necessário incrementar alternativas aos Centros de Apoio, desenvolvendo-se um conceito de centro de aprendizagem, materializado em novas estruturas que integrem o ensino superior a distância, e estejam vocacionados para os ambientes virtuais de aprendizagem.
Então o que é um CLA ? Noção de um espaço onde o estudante desenvolve as suas responsabilidades de aprendizagem mediada tecnologicamente e promovida no campus virtual; Valoriza-se a especificidade do "sítio", com iniciativas de âmbito cultural e outras; Pequeno núcleo vocacionado para atividades e princípios da Educação ao Longo da Vida; Acções educativas de âmbito: formal; não-formal; informal. Desenvolvimento de competências: académicas; profissionais; culturais e cívicas. Nas áreas: técnica; artistica; cultural; cientifica ou económica. 
Parcerias entre: Universidade Aberta e Sociedade Civil e Local; organizam-se em rede; são coordenadas pela Universidade Aberta.
 Os CLAs devem contribuir para a divulgação e concretização do projeto educativo da UAb, otimizando sinergias educativas e culturais.
Um Objectivo particular: "Favorecer o acesso de amplos sectores populacionais à sociedade da informação e do conhecimento" para isso é necessário: construir equipas que garantam o funcionamento dos CLA; Viabilize parcerias que assegurem o financiamento dos CLA; Dinamize atividades culturais em estreita ligação com as especificidades locais; Divulgue ações promovidas pela UAB e pelos próprios CLA, no sentido de captação de novos públicos.

Regressar à escola pelo futuro da Europa



A educação de adultos, nunca teve grande relevo em Portugal devido aos longos anos de ditadura que se viveram. A sociedade não usufruía de direitos sociais, políticos, e cívicos e muito menos de liberdade de expressão, o estado pouco ou nada fez para o seu desenvolvimento. Por sua vez a sociedade também não usufruía de direitos sociais, cívicos e muito menos políticos, liberdade de expressão nem falar. Hoje a situação é diferente novos conceitos, tem vindo a ganhar protagonismo, relativamente ao conceito de educação. Tais conceitos, baseiam-se sobretudo, no aspecto económico e gerencial, na qualificação para o crescimento económico, empregabilidade, competências para a produtividade, formação profissional e vocacional de forma incessante, com cada vez maior destaque, verificando-se isto, mediante um conjunto temático abordado que se percepciona por vezes, como algo extremamente distanciado da agenda educativa. Afirma Dubar (1998, cit. in Canário, 2000:37) "a qualificação enquanto objecto de uma negociação, colectiva, cede o seu lugar à competência avaliada para cada indivíduo e pela entidade empregadora. Passará cada cidadão a ter a sua responsabilidade pela "empregabilidade, na medida em que, possa gerir a encenação das competências que melhor o adaptam ao mercado de trabalho.
Felizmente as coisas mudaram, considero bastante interessante e de enorme relevância toda esta diversidade de iniciativas... (O IEFP em movimento, os CLAs) Estas, contribuem grandemente para um melhor conhecimento/informação e resolução de problemas comuns às comunidades locais. E... a aprendizagem ao longo da vida, com o mundo em constante mudança surge para ficar. A EAD não é nova, mas está crescendo exponencialmente devido ao surgimento da sociedade baseada em informação e da explosão do conhecimento. A sociedade procura cada vez mais novas habilidades e conhecimentos por parte da força produtiva, assim como novos “produtos” do sistema (novas profissões). Somente a educação presencial não dá mais conta dessa procura. Estamos na altura de reconhecer o papel da UAB e dos CLAs que não têm tido o reconhecimento merecido.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Desenvolvimento Local


 
DESENVOLVIMENTO LOCAL

Segundo Roque Amaro o Desenvolvimento Local apresenta-se como um sistema de mudança com base na comunidade e impacto sobre a mesma. Implica uma participação ativa na resolução das necessidades constatadas localmente, com os recursos da comunidade local e só através de uma lógica de parceria constroém-se respostas integradas e sustentáveis (Amaro, 2004).

Definido de forma simplista podemos dizer que é um processo de mudanças, ao nível territorial, cujo objetivo é a contínua melhoria da qualidade de vida dos seus residentes.
Este complexo conceito engloba características como: a prosperidade económica; a inclusão social; a boa governação (governo a trabalhar em prol da sociedade); a sustentabilidade ambiental; a mobilização social (pró-atividade social em prol do bem-estar comum).

Ainda referindo Roque Amaro o Desenvolvimento Local apresenta-se como um sistema de mudança com base na comunidade e impacto sobre a mesma. Implica uma participação ativa na resolução das necessidades constatadas localmente, com os recursos da comunidade local e só através de uma lógica de parceria constroém-se respostas integradas e sustentáveis (Amaro, 2004).

É necessário e urgente promover o desenvolvimento local ”com a” população local e não “para a” população local. Ou seja, este deverá ser um processo integrado, em que participam todos os protagonistas locais (como o governo, as autoridades locais, a sociedade civil, o setor privado, instituições académicas, etc).

Um dos grandes desafios da promoção do desenvolvimento local é “que a questão da cidadania se conjugue no registo da desresponsabilização do Estado e da correspondente hiper-responsabilização dos indivíduos, bem como tendências para que a utopia emancipatória inscrita na noção de projecto se transforme numa projectocracia e para que a contribuição da educação para o desenvolvimento conduza tanto à instrumentalização da educação como a uma definição de desenvolvimento pensada exclusivamente em torno de uma ideologia dos recursos humanos onde a problemática da relação social e da sociabilidade é sistematicamente desqualificada. (Caramelo, 2007:1)

Não podemos esperar que o Estado tenha um papel “paternalista” e que negue a oportunidade do indíviduo de desenvolver uma cidadania pró-ativa na sua comunidade.

CARAMELO J.  & Correia J. A. (2007) Educação e Desenvolvimento Local: linhas gerais para um programa de reflexão

AMARO R.R. (2004) A  Animar Nos Caminhos e Desafios do Desenvolvimento Local em Portugal,Contributo para a História do Desenvolvimento Local em Portugal, Animar, consulta em


http://www.zoom.org.pt/equalificacao/src_cdroms/novos_conceitos_praticas/recursos_complementares/Livro_Animar.pdf

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Desenvolvimento


 Desenvolvimento é um processo de fomentar novas formas de produzir, instaurar novas relações de produção de forma a promover um processo sustentável de crescimento económico. O desenvolvimento procura novas forças produtivas que respeitem a natureza, favoreçam valores como igualdade e auto-realização, sem ignorar nem rejeitar os avanços científicos e tecnológicos promovidos pelas multinacionais, mas submetendo-os aos crivo permanente dos valores ambientais, da inclusão social e da autogestão.


Andragogia



Segundo Bellan (2005,p.20) “a andragogia é a ciência que estuda como os adultos aprendem”. A autora relata que foi o educador alemão Alexander Kapp em 1833, quem primeiro usou esta nomenclatura.
A Andragogia foi definida por Malcolm Knowles como a arte e ciência de ajudar o adulto a aprender, em oposição à Pedagogia, que cuida do ensino de crianças. Os conceitos de Knowles foram amplamente discutidos, prevalecendo, hoje, a posição de que os dois campos não são mutuamente excludentes. Segundo eles, Knowles chegou a indicar que os dois conceitos formariam um continuum, indo da educação centrada no professor à educação centrada no aprendedor. (WALL e TELLES, 2004).
Andragogia (do grego: andros - adulto e gogos - educar) procura compreender o adulto. Os adultos devido às experiências que passam durante a vida e o conhecimento que vem da realidade, buscam desafios e soluções que façam diferença em suas vidas.Eles aprendem melhor quando o assunto faz relação com sua vida diária. O aluno adulto, diferencia-se dos demais, na consciência de que precisa do conhecimento, que este lhe faz falta.
De acordo com Gomes, Pezzi e Bárcia (2006), os princípios da Andragogia e as teorias que sinalizam uma pedagogia voltada para o aluno, estão trazendo maiores contribuições no trabalho com adultos.
Nesse sentido, Knowles (1977) citado Gomes, Pezzi e Bárcia (2006, p. 3) diz que "a teoria da aprendizagem de adultos apresenta um desafio para os conceitos estáticos da inteligência, para as limitações padronizadas da educação convencional...".
A andragogia sendo a questionadora do modelo educacional aplicado nos adultos procura conhecer as particularidades da aprendizagem no adulto e adequar ou promover métodos didáticos para serem usados especificamente nessa população.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

CONFINTEA VI



A VI Conferência Internacional da Unesco em Educação de Adultos (CONFINTEA VI), realizada em maio de 2009, teve como maior desafio, a redução do hiato entre os discursos e as políticas de educação de adultos.


"O caminho a seguir"
A Sexta Conferência Internacional de Educação de Adultos – CONFINTEA VI foi encerrada no último dia 04/12 com um apelo aos governos para levarem a diante, com senso de urgência e em ritmo acelerado, a agenda de educação e aprendizagem de adultos, e redobrarem os esforços para cumprir as metas de alfabetização Adultos (em Dacar, em 2000. Essas medidas foram estabelecidas no Marco de Ação de Belém adotado após extensivas negociações durante a CONFINTEA VI.
“Agora é hora de agir, pois o custo da falta de ação é muito alto”, afirma o documento, aprovado no final da Conferência que reuniu cerca de 1.500 participantes, de 156 Países-membros, em Belém do Pará, durante quatro dias.
Ministros, Vice-ministros, secretários estaduais de educação e os principais representantes de organizações regionais e multilaterais, sociedade civil e setor privado, além de aprendizes adultos de todo o mundo, debateram um vasto leque de questões incluindo políticas e governança para educação de adultos, alfabetização como competência básica para a aprendizagem ao longo da vida, garantia de qualidade e avaliação dos resultados de aprendizagem, participação e inclusão e mecanismos de financiamento.
“Este é um alerta aos governos e à comunidade internacional para que despertem para o fato de que sem um esforço intenso e conjunto, as metas de Educação para Todos jamais serão alcançadas. [...] O teste para todos nós é garantir estratégias de colaboração e inovação, e reformas políticas que viabilizem que o conhecimento e as experiências acumuladas sejam aplicados de maneira efetiva onde é necessário”, disse Davidson Hepburn, presidente da Conferência Geral da UNESCO.
O Marco de Ação de Belém enfatiza que a educação e a aprendizagem de adultos desempenham um papel crítico para o enfrentamento dos desafios culturais, políticos e sociais do mundo contemporâneo e sublinha a necessidade de se colocar a educação de adultos em um contexto mais amplo do desenvolvimento sustentável. Ele reconhece também que políticas efetivas de governança, financiamento, participação, inclusão, equidade e qualidade são condições necessárias para que jovens e adultos estejam aptos a exercer os seus direitos à educação. 

Refletindo o foco principal da Conferência - “a alfabetização como base da aprendizagem ao longo da vida” e “parte irrefutável do direto à educação”-, o Marco de Ação de Belém apela para que se “redobre os esforços a fim de reduzir o analfabetismo em 50% (em relação aos níveis de 2000) até 2015”. Faz um apelo também pelo aumento de recursos financeiros e humanos especializados, da oferta de currículos relevantes, de mecanismos de garantia de qualidade, e uma redução na disparidade de gênero na alfabetização.  
O documento assinala ainda que educação e aprendizagem de adultos permanecem cronicamente desvalorizadas e sem os recursos financeiros necessários, e afirma que o reconhecimento alcançado com a CONFINTEA V não abriu o caminho para uma ação política eficaz em termos de priorização, integração e alocação de recursos adequados, seja em âmbito nacional ou internacional. Ele também chama atenção para a falta de oportunidades de atualização profissional para educadores, além de mecanismos de monitoramento, avaliação e retorno insuficientes.
O Marco de Ação de Belém enfatiza a necessidade de se fortalecer a cooperação internacional em áreas que vão desde o reconhecimento das qualificações ao compartilhamento de expertise e práticas inovadoras, garantia de qualidade, acesso equitativo, apoio para as línguas indígenas e educação para migrantes. Essas medidas obrigam os países a aumentar o seu investimento em educação de jovens e adultos para, no mínimo, 6% do PIB, bem como promover e estabelecer novos mecanismos de financiamento alternativos.  
Em seu discurso de encerramento da Conferência, o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que o objetivo após a CONFINTEA VI seria ir além da meta para 2015, estabelecendo um fundo multilateral e internacional para combater o analfabetismo. “Assim, em 2015 poderemos ter um ano de celebração para toda a comunidade internacional”, disse o ministro. Haddad acrescentou: “Nós temos imensas esperanças que depois de Belém estaremos prontos para reunir todos os esforços para garantir o direito de ler e escrever a todos os cidadãos do mundo”.
Ao concluir a Sexta Conferência Internacional de Educação de Adultos, David Hepburn disse: “Esperamos que esse “momentum” seja a força que nos moverá para colocar a educação de adultos, não apenas a alfabetização, no centro dos esforços internacionais. Para ele, o documento final de Belém foi marcado pela solidariedade na crença de que nós, apesar das diferenças e prioridades, compartilhamos um desejo comum de que o século 21 não deixará nenhum adulto para trás.


http://www.unesco.org/pt/confinteavi/single-view/news/international_conference_on_adult_education_closes_with_a_call_to_move_from_rhetoric_to_action-1/back/5446/cHash/fa1dc1d7b0/


CONFINTEA VI: DOCUMENTO CONSTRUÍDO EM TORNO DE 7 EIXOS:


1.    Alfabetização de Adultos
 
- Foco forte nas mulheres e nas populações mais vulneráveis: povos indígenas, pessoas privadas de liberdade e populações rurais.
- Alfabetização no contexto da educação continuada e da formação profissional.
2.    Políticas
- Recomenda desenvolver ou melhorar estruturas e mecanismos para o reconhecimento, validação e certificação de todas as formas de aprendizagem.
3.    Governança
 
- Importância de se promover e apoiar cooperação intersetorial e interministerial.
4.    Financiamento
 
 
- Necessidade de alocar pelo menos 6% do PIB para educação e aumentar percentagem dedicada à educação e aprendizagens de adultos.
- Possibilidade de criar novos ou ampliar programas transnacionais existentes de financiamento para alfabetização e educação de adultos.
5.    Participação, Inclusão e Equidade
 
Não pode haver exclusão que toma por base: idade, gênero, etnia, status de migrante, língua, religião, deficiência, status rural, identidade ou orientação sexual, pobreza, deslocamento ou encarceramento.
- Importância de apoiar financeiramente necessidades de grupos marginalizados (povos indígenas, migrantes, pessoas com deficiências e populações rurais)
- Necessidade de oferecer educação de adultos em centros penitenciários em todos os níveis apropriados.
6.    Qualidade
Reconhecimento da diversidade e pluralidade de provedores.
- Profissionalização da educação de adultos.
- Necessidade de estabelecer indicadores de qualidade.
 
7.    Monitoramento do Marco de Ação de Belém
- Necessidade de estabelecer mecanismos regionais de monitoramento com pontos de referência e indicadores.
- Investimento no desenvolvimento de indicadores padrões para a coleta de dados e informações sobre alfabetização e educação de adultos.
- Produção de um Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos a intervalos regulares.
- Importância da cooperação Sul-Sul.